Em 1994, as maiores companhias de comunicação incluindo a Hearst Corporation (proprietárias de vários periódicos americanos e de redes de televisão) formou divisões de “novos media” e grupos comerciais como o New York Media Association. Nesta mesma altura, artistas, curadores e críticos começaram a introduzir o termo New Media Art para se referirem aos projectos inseridos no âmbito de instalações multimédia interactiva, ambientes de realidade virtual e arte baseada na Net, que eram executados através da tecnologia digital. Para as “velhas” empresas de comunicação, estas tecnologias indicavam um afastamento dos meios tradicionais, como os jornais e a televisão. Neste panorama, surge o conceito de New Media Art como uma subdivisão em duas categorias: a Arte e Tecnologia e a Media Art. A Arte e Tecnologia refere-se essencialmente às práticas, como a arte electrónica, a arte robótica e a arte genética, que envolvem novas tecnologias mas que não se relacionam directamente com os media., enquanto que a Media Art, inclui o vídeo art, a arte da transmissão e o filme experimental, que se definem como a arte que incorpora a tecnologia dos novos media que por volta de 1990, já não era novidade. Este movimento surge assim, como uma intersecção destes dois domínios.
A New Media Art apresenta grandes semelhanças com a vídeo art, onde, uma geração após o surgimento do vídeo art enquanto movimento, houve uma introdução do navegador da Net, catalisando o nascimento da New Media Art como movimento.
Os artistas da New Media Art viram a Internet como uma ferramenta artística acessível, possibilitando-os explorar a relação entre tecnologia e cultura. Os seus projectos fazem uso das tecnologias emergentes, preocupando-se com as possibilidades estéticas, culturais e politicas dessas ferramentas. Geralmente, tendem a trabalhar com os mesmos meios que os motivam (por exemplo os jogos) em vez de os transporem para outras formas que se encaixem de modo mais adequado nas convenções do mundo artístico. Desde cedo, adoptaram os princípios do código livre onde tendem a apropriar-se do material que encontram e a colaborar com outras pessoas, numa base de partilha mútua. Apesar de alguns artistas utilizarem a internet apenas como um meio de disseminar a documentação dos seus projectos, feitos por meios convencionais, outros abordam a Internet como um meio próprio ou como um novo espaço no qual podem intervir artisticamente. Devido à sua ligação próxima à Internet, a New Media Art, foi desde o seu inicio, um movimento global. A natureza internacional do movimento reflectiu a natureza global do mundo da arte como um todo.
O movimento New Media Art, pode ser visto como uma resposta à revolução da tecnologia da informação e à digitalização das formas culturais.
Seguem-se alguns exemplos de projectos inseridos no movimento de New Media Art:
O projecto Shredder 1.0, de Mark Napier, surgiu em 1998 e revela uma mistura colorida de texto e imagens. Ao introduzir um endereço no campo da localização no topo do interface de Shredder 1.0, ou através de uma escolha de doze URLs pré-seleccionados, o projecto desconstrói o site original, cortando e seccionando o texto, a imagem e o código-fonte, formando composições abstractas. Shredder 1.0 trabalha fazendo passar o código com o qual as páginas da Net são escritas por um scriptPerl, um programa rudimentar que divide e reorganiza o código original antes de o colocar no seu navegador na Net. É um projecto interactivo (solicita a introdução ou escolha de um endereço de um site na Net para rasgar) e generativo (corre um processo algorítmico que produz sempre um trabalho novo). Ao interagir com a obra, os visitantes moldam a peça, levando-a a mudar e a evoluir, muitas vezes de forma imprevisível. O utilizador é parte integral do design. (1)
O projecto 1 year performance vídeo, de 2004-2005, da autoria de MTAA (M.River & T. Whid Associates), pode ser visto como um comentário sobre a progressiva substituição das actividades e experiências de vida que são decorridas ou realizadas por software e hardware de computador. O projecto é igualmente uma demonstração surda e transparente da capacidade da New Media Art de manipular as nossas percepções de tempo e da nossa relação cada vez mais céptica com a evidência visual como índice da realidade.