O Festival UM gira, em cada edição, em torno de um tema. O tema subjacente a este ano foi a noção de Paisagem.
Teresa Dillon, directora do festival, fala-nos de paisagem como a presença humana no mundo, a nossa panorâmica, de qualquer ponto de vista. Deste modo, a paisagem torna-se num processo construtivo, no qual o mundo é mediado através da experiência humana.
O Festival decorreu durante quatro dias (de 12 a 15 de Novembro) compreendendo conversas (com Carsten Stabenow, Terike Haapoja, Evelina Domnitch e Dmitry Gelfand, Prof. Jussi Angesleva, Unsworn Industries), workshops (Construir o Próprio Interface Musical por membros da Fundação STEIM; Maneiras de ver computacionais com Prof. Jussi Angesleva; Megaphonebooth Lisboa com Unsworn Industries), concertos/performances e ainda uma exposição que se estenderá até dia 27.
Os trabalhos seleccionados e/ou abordados ao longo do festival (tanto os workshops, como as conversas e ainda a própria exposição) exploram (de modos diversos), pois, o conceito de Paisagem, tendo em conta a nossa percepção, e o modo como esta nos permite estabelecer e processar as nossas relações e experiências com o mundo exterior.
Será conferido um enfoque às duas primeiras conversas ocorridas, de modo a poder demonstrar, recorrendo a exemplos concretos, os modos (diversos) como a noção de paisagem foi aqui explorada.
Paisagem como processo construtivo da realidade, da experiência.
Foi deste modo que o designer Carsten Stabenow iniciou a primeira conversa no âmbito deste festival.
O assunto foi abordado de modo a permitir o entendimento de como este processo modela a nossa percepção, constituindo um diálogo entre nós e o espaço.
O espaço torna-se, então, no próprio concerto, assim como o nosso acto de respiração natural. Neste caso, a campainha é o som natural da bicicleta
(que é o instrumento). O som programa, assim, o espaço (compondo a paisagem através dos seus elementos sonoros).
Deste modo, é possível reter a ideia de que se compreender-mos os sons citadinos é possível transformá-los em instrumentos; dependendo, somente, do modo como estes nos são apresentados / contextualizados.
Trata-se, pois, de uma reconfiguração do espaço e de uma construção social do som. Se as pessoas entenderem os sons, a sua percepção dos mesmos será alterada, construindo assim uma paisagem (com a informação que lhes é fornecida através dos mesmos e da sua subjectividade).
A segunda conversa inicia-se com a abordagem do tema de Levitação acústica e visualização de ondas sonoras, através da luz com Evelina Domnitch, Dmitry Gelfand. Este é um projecto que emerge da arte e da ciência, visando alterar as nossas perspectivas sobre o som e as suas frequências, oscilando entre os processos que já se encontram na natureza e os que são de índole humana.
Da esquerda para a direita: Teresa Dillon, Evelina Domnitch, Dmitry Gelfand e Terike Haapoja
O conceito de Landscape (paisagem) surge aqui como Brainscape (“tunning the brain), ou seja, o modo como os fenómenos são percepcionados, e como estes, por conseguinte, nos modificam, numa união entre arte e ciência, proporcionando um aumento de consciência e conhecimento sensorial.
Camera Lucida, Evelina Domnitch e Dmitry Gelfand
Terike Haapoja culmina a conversa com as situações onde humanos e não humanos interagem, através de dispositivos sensoriais, ou seja, as relações entre homem-natureza (e espaço) através da utilização dos novos media, que, por sua vez, constroem a paisagem.
Através deste exemplo é possível mostrar, um pouco da diversidade na exploração do tema subjacente à edição deste ano do festival.
Desde instalações interactivas (presentes na exposição ou abordadas nas conversas), vídeos e esclarecimentos através de debates e workshops (por exemplo, além das conversas referidas anteriormente, o modo como os computadores nos permitem / auxiliam a ver o mundo de outras formas através do workshop de Jussi Angesleva), o Festival Um permitiu então a abordagem a novas e diversificadas noções de paisagem, pelo modo como nos relacionamos e interagimos com o espaço e o som e os seus fenómenos (quer sejam estes naturais ou humanos – pela nossa percepção.
Juliana Duque, Edna Silveira











